O teu aspecto sujo e feio. As tuas ruas fedentinas por culpa do esgoto. Os teus habitantes mal-humorados e esnobes. As tuas árvores, que não são muitas, mas são suficientes. O teu (único) shopping pequeno e apinhado de pessoas que querem aproveitar o ar-condicionado. As tuas escolas particulares na “Guerra Fria”. As tuas escolas públicas na guerra bem declarada entre os alunos. É, quem diria? Eu sinto saudades, nostalgia; eu tenho boas lembranças. Quem diria, Novo Hamburgo, que um dia, eu faria um texto só para falar de ti? Justamente, eu.
Nossa relação de amor e ódio, começou, acho que desde que eu tive o prazer de nascer em Porto Alegre e não aí, e portanto poder bater no peito e dizer “Sou de Pooorto”. E se acentuou quando tua escola, Pio XII, comportou alunos que gostavam de me incomodar. Ficou forte também, quando me dei conta da falta de lugares para lazer aí. Depois disso o sentimento só foi se alastrando. Talvez a culpa nem fosse tua. Mas eu a jogava em ti.
Porém, agora, longe, sinto falta de ti. Não exatamente de ti, mas do que tu guardas contigo, das lembranças minhas que tu roubaste. Ah, como faz falta acordar às 6:30 da madrugada em pleno mês de junho, sonolenta, e lutar contra o vento frio e cortante para chegar até a escola, envolta por mil blusões e agasalhos. Faz falta os dias que, no início da noite, eu voltava das aulas de basquete e aproveitava para comprar uns cachorros-quentes da Lulu (o melhor!). Sinto saudades dos domingos deprimentes, nos quais ninguém saía para as tuas ruas, e quem se aventurasse nesse programa de índio, com certeza ficava mais deprimido do que em casa. Faz falta os dias na Ginástica, pedalando a bicicleta de rodinhas rosa, brincando no parquinho, temendo a casa “assombrada” que na verdade era só a sede dos escoteiros e aproveitando os aniversários. Saudades até de não ver absolutamente nenhuma alma viva andando por ti, quando mal batiam 19:00 horas.
Saudades de uma cidade previsível e monótona, para qual não me inspira voltar, mas que me acolheu por catorze anos, mesmo quando eu insistia em gritar que ela não prestava.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Own, que bom que tu conseguiu escrever, Marola.
ResponderExcluirEu realmente gostei desse texto, sabe, o fato de você escrever em 2º pessoa, deu uma alma viva pro colégio.(fala aí a expert)
Pra falar a verdade, qualquer coisa que tu escreve fica ninja pra caramba, fazer o quê...
AEHUIOAEHUIOAEHUIOAEHUIO
bêjo :*
Tá, substitui o 'colégio' por 'cidade'.
ResponderExcluirQue m*rda, cara...
Caara, que perfeito o teu texto Líaa *-* Me sinto assim com Teresina as vezes... Fico olhando pro nada e pensando na cidade que eu esnobava e ciriticava quando cheguei...e hoje, podendo sair daqui, resolvo ficar hahahah' é tenso...
ResponderExcluir[by: Guuh,'fofinho' kkkkk'] (nao tenho conta, entao botei anonimo...)
Li o texto ouvindo Neto Fagundes falando sobre "o canto gauchesco e brasileiro desta terra que eu amei deste guri"... Me deu orgulho de ser de Porto, também!
ResponderExcluirMas o fato é que não importa onde estejamos, sempre teremos um afeto inexplicável por onde nascemos/passamos a infância.
E Novo Hamburgo tem saudade de te ter aqui, you bet.